TODA VEZ QUE EU FAÇO UM TEXTO MOTIVANDO AS PESSOAS A REALIZAREM UMA LONGA VIAGEM UM DOS PRIMEIROS QUESTIONAMENTOS QUE APARECEM É: MAS SE EU PARO DE TRABALHAR PARA VIAJAR, COMO VOU ME MANTER FINANCEIRAMENTE? De cara as pessoas julgam que uma coisa impede a outra e jogam o sonho delas pela janela, o que é uma pena.

Para essa pergunta existem duas soluções simples: ou você trabalha durante a viagem (e eu já dei várias dicas sobre isso aqui na ViraVolta, portanto não deixe de ver a seleção de textos ao final do post que podem te ajudar com isso) ou você precisa fazer um planejamento financeiro. A maioria dos viajantes de longo prazo vão se planejar financeiramente para realizar uma longa viagem, sem depender de uma renda de trabalho ao longo da aventura.

Mas existem formas de fazer o seu dinheiro render ao seu favor, e para falar sobre isso eu convidei o viajante Júlio César Furquim Silva, que já está há mais de 1 ano viajando e vai passar as dicas de como ele faz para se manter financeiramente durante a viagem sem ter que trabalhar.

Texto de Júlio César Furquim Silva

A pergunta que mais recebo quando encontro pessoas pelo caminho, seja em albergues, passeios, bares, etc, e digo que estou viajando há bastante tempo é: como você arruma tanto dinheiro para viajar? Bem, a resposta para esta pergunta não é simples e decidi escrever este post que, talvez possa ajudar alguém.

Primeiramente, quero deixar claro uma coisa muito importante que é a forma como eu viajo: eu viajo barato, que é um estilo de viagem muito disseminado aqui na ViraVolta, ou seja, eu tento economizar o máximo em todos os aspectos, desde passagens áreas até hospedagens.

Entrando, propriamente no assunto sobre finanças, quero dizer que minha formação não é nem em economia, nem finanças. Tudo que aprendi foi estudando nas minhas horas vagas, lendo e conversando com outras pessoas sobre o assunto.

O meu interesse pelo assunto surgiu em 2006 se não me falha a memória, quando li uma matéria do Gustavo Cerbasi a respeito de independência financeira. Achei interessante a forma como ele abordou o assunto a respeito de guardar dinheiro e se tornar financeiramente independente.

A primeira coisa é ter um objetivo em mente: Por que você quer guardar dinheiro?

Depois tente fazer um inventário completo de tudo o que você possui e ganha. Se você declara imposto de renda, pode ser uma boa forma de saber os seus bens, seus ganhos e principalmente dívidas, já que tudo deve ser declarado.

Vou separar em tópicos os itens que eu considero primordiais e todos os números serão baseados em uma viagem com duração de um ano.

BANCOS

Talvez seja o item mais importante, já que grande parte dos brasileiros recebem seus salários em bancos.

Aprenda tudo que puder sobre as oportunidades do seu banco. Como? Simplesmente lendo as informações do site. É incrível a quantidade de informações disponíveis nos sites dos bancos. O problema é que quase ninguém se interessa em ler e, aqui me atrevo a dizer que nem mesmos os gerentes dos bancos. Digo por experiência própria, pois fui uma vez no banco pedir mais informações sobre um produto no banco que constava no site e o próprio gerente desconhecia o produto. Gerentes tem metas para bater e vão te oferecer o que é mais vantajoso para eles naquele momento.

Ter investimentos no banco irá reduzir ou eliminar as taxas para manutenção da conta. Verifique no site do banco ou converse com seu gerente sobre quais são as condições para reduzir ou não pagar manutenção de conta. Quanto mais investimentos você tiver no banco, menos taxas irá pagar e mais vantagens irá ter. Funciona assim e ponto.

Vou separar em faixas de valores quais seriam as melhores opções, mas todas têm em comum uma regra básica que se chama Liquidez. E o que significa isso? Liquidez é a capacidade de converter um valor investido em dinheiro rapidamente. Ou seja, resgatar meu dinheiro para hoje ou no máximo amanhã.

Até 30 mil reais

Para quem tem até 30 mil reais a melhor opção será a boa e velha poupança por um motivo muito simples: não tem taxa de administração nem imposto de renda. O problema é que rende muito pouco, 0,5% ao mês.

Portanto se você possui 30 mil reais, vai ter uma rentabilidade mensal em torno de 150 reais.

No valor atual do dólar a 3,15, é possível viajar com 25 dólares por dia incluindo hospedagem e tudo por um ano. Isso por mês vai gerar um gasto em torno de 2.500 reais. Com o retorno do investimento, considerando claro que o dinheiro será gasto mensalmente, dá para acumular em torno de mil reais ou 300 dólares, o que por si só já te garantem 12 dias de viagem.

Até 60 mil reais

Para quem tem 60 mil reais ou mais a melhor opção serão os fundos DI. A maioria dos fundos DI tem a mesma liquidez da poupança, porém maior rentabilidade, mas também cobram imposto de renda sobre o lucro obtido. Procure fundos DI ou de Renda Fixa com rendimentos em torno de 1% ao mês e taxa de administração menor ou igual a 1% ao ano e mantenha o dinheiro investido pelo menos 30 dias antes de começar a viagem. Se possível, 6 meses e melhor ainda se for ano antes. Isso porque a taxa de IR diminui muito no primeiro ano do investimento.

Neste caso, a rentabilidade média mensal estaria em torno de 500 reais, que utilizando a regra acima, ou seja, viajando com 25 dólares por dia, você consegue voltar com mais da metade para o Brasil. Isso não é incrível?! Outra opção é aumentar o gasto diário para viajar mais confortável, por exemplo 50 dólares, e mesmo neste caso isto pode te dar um mês extra de viagem.

Acima de 100 mil

Infelizmente nem todos temos a possibilidade de dispor deste valor, mas para quem tem, recomendo fortemente tentar se descapitalizar ao máximo. Grosseiramente um investimento de 100 mil reais que rende 1% ao mês, no final do mês terá 101 mil reais. Levando em consideração os valores acima, já conseguiria viver quase 15 dias só de renda.

Utilizando esta técnica e os mesmos valores diários acima, é possível voltar para o Brasil com mais de 70% da grana. Você também pode escolher viajar mais confortável gastando mais por dia, ou até estender a viagem por mais de 3 anos.

Dicas gerais

Não importa qual caso você se enquadre, o principal é administrar os gastos e tentar economizar no que for possível, mas é claro tudo depende do tipo de viagem que você quer fazer.

Planejamento é a palavra de ordem e para quem tem menos grana no meu ponto de vista é necessário planejar muito bem e sair o menos possível do planejado, principalmente no quesito transporte.

Para aproveitar ao máximo as dicas acima, é necessário manter o dinheiro investido e resgatar o mínimo possível. Neste caso, teríamos 12 resgates no ano, um para cada mês. Infelizmente em alguns lugares não será possível pois só irão aceitar dinheiro.

Sugiro começar a viagem com uns 700 ou 800 dólares em dinheiro e ir trocando ao longo do caminho, mas só usá-los realmente em casos em que o cartão de crédito não for aceito.

Se optar por não utilizar o cartão de crédito, a opção será o começar a viagem com o primeiro mês de gastos disponíveis na conta corrente ou então com o dinheiro em espécie e a partir de aí seguir com os resgates mensalmente.

CARTÃO DE CRÉDITO

Ótimo para quem tem disciplina financeira e péssimo para quem não tem. Pago tudo que posso no cartão de crédito e por alguns motivos principais.

  • Primeiro: Não se descapitalizar ou se descapitalizar mais lentamente. Gastar apenas o valor estimado dos rendimentos e mesmo sem trabalhar conseguir viver apenas de renda. Claro que isso só vai funcionar para quem tem um alto valor investido, mas também pode ajudar quem tem menos dinheiro a acumular outros benefícios do cartão.
  • Segundo: os pontos do cartão de crédito. Quase todos os cartões de crédito possuem um programa de pontos. Isso é muito interessante e para mim o principal é conseguir transferir estes pontos para milhas aéreas.
  • Terceiro: não pago anuidade porque tenho investimentos no banco e também porque estou usando o cartão continuamente. Verifique no site do banco ou converse com seu gerente sobre quais são as condições para não pagar anuidade.

MILHAS AÉREAS

Ah, quantas viagens eu já fiz só com milhas. E como juntar milhas? Bom, há várias formas. A primeira já descrevi no tópico acima, que é poder transferir os pontos do cartão de crédito para um programa de milhas. Eu particularmente uso Smiles, e pago também o Club Smiles. Acho que vale a pena. Outro detalhe é que sempre estou de olho nas promoções, seja para ganhar o dobro de milhas na transferência dos pontos do cartão de crédito, trechos com desconto, ou ainda comprar milhas por preços reduzidos.

As vezes não é interessante viajar com milhas, sendo mais barato comprar as passagens. Neste caso, sempre tento comprar nas companhias aéreas parceiras Smiles. Assim consigo acumular e manter todos os pontos em um único lugar.

Portanto, elija um programa de pontos e concentre todos os seus pontos nele.

MAS COMO JUNTAR DINHEIRO?

Pode parecer muito óbvio, mas as vezes é bom explicitar as obviedades: gaste menos do que você ganha.

Tudo na vida é uma questão de prioridades, e você, somente você poderá decidir o que é prioridade. Carro novo, reformar a casa, comer fora todos os fins de semanas, etc. ou viajar? Somente você poderá eleger suas prioridades e trabalhar para concretizar seus sonhos. Se for necessário, procure ajuda profissional com um consultor de finanças pessoais, mas no geral, corte tudo que for supérfluo, reorganize todas as contas, cada centavo que você guardar a mais vai te ajudar. Será um grande sacrifício, mas eu (e acredito que todos que fizeram) te garanto que vai valer a pena!

Comecei a trabalhar muito jovem, com 14 anos em uma empresa, o dia todo para pagar meus estudos. Eu estudava a noite e aprendi desde cedo que ganhar dinheiro exige esforço, mas gastá-lo é muito fácil. Venho de uma família de classe média baixa, mas que com esforço e dedicação consegui realizar muitos de meus sonhos.

E por fim, como sou um bom estudante de filosofia (também estudo sozinho, nas horas vagas), para os pessimistas de plantão, tudo que escrevi aqui serviu para mim. Talvez alguma coisa possa também servir para você e tudo vai depender do seu interesse, vontade, dedicação, disciplina e otimismo. Não espere aprender tudo da noite para o dia, pois é impossível. Como qualquer coisa na vida, leva tempo e dedicação. Mas perceba que, desistir é muito fácil, difícil é seguir em frente. Alguns itens são sim muito chatos e vão te tomar tempo. É por isso mesmo que é para poucos, para os dedicados. Lembro aqui uma frase do filósofo Mário Sergio Cortella: não seja medíocre, faça o seu melhor nas condições que você tem enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda.

Você vai ter que sentar a bunda na cadeira e estudar! Eu já estou viajando.

JÚLIO CÉSAR FURQUIM SILVA

Júlio tem 33 anos, é especialista em TI e decidiu viajar após uma crise de depressão. Na estrada há mais de 1 ano e meio, já visitou mais de 25 países, fala 4 idiomas e pretende aprender pelo menos mais um pelo caminho. Siga sua aventura pelo FB.


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Acredite. Vai que dá! Sempre tem um jeito.

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