Meu primeiro couchsurfing

Viagem pelo Mundo, Viagem Longo Prazo, Mochileiros, Sabático, Viajar Barato, Couchsurfing

Como assim dormir na casa de um estranho? Isso é muito perigoso! Já ouvi muito brasileiro tendo essa mesma reação quando eu falo sobre a plataforma do Couchsurfing.

Você não sabe o que é isso?  Couchsurfing é uma plataforma onde pessoas do mundo inteiro oferecem um lugar em suas casas para você dormir gratuitamente (um quarto, um sofá, ou até mesmo um colchonete no chão). Basta você criar um perfil bacana e enviar solicitações para ficar na casa das pessoas.

Mas por que alguém faria isso? Será que isso parece tão difícil de acreditar? As pessoas fazem pela troca de experiências, pela curiosidade em conhecer novas culturas, para conhecer pessoas e novas histórias, para se ajudar. Por que tudo na vida deveria envolver uma troca financeira? Essa é uma visão limitada do capitalismo.

Mas Carol, não tem riscos? Daí me explica, o que na vida não tem algum risco! Você já mora no Brasil… Já ta correndo muito mais risco. A plataforma do Couchsurfing foi criada para ajudar a eliminar esses riscos e usando o bom senso na hora de fazer suas escolhas acredito que eles sejam muito pequenos.

Mas eu te entendo, assim como você, um dia eu também já tive preconceito com essa idéia. E sabe como eu resolvi isso? O dia que eu fiz meu primeiro Couchsurfing e vive uma das experiências mais incríveis em minhas viagens.

Eu podia contar a minha história, mas você achara suspeito. Então convidei a viajante Claudia Brodsky, de 26 anos, pra compartilhar a primeira experiência dela no Couchsurfing, durante a sua viagem de 15 meses, onde ela visitou 21 países gastando uma média de 30 dólares por dia.

Texto por Claudia Brodsky

Havia um senhor de idade já avançada que tinha como hobby cozinhar e enfeitar magníficas mesas de jantar. Seu filho, que ainda era uma criança, se divertia com tudo aquilo, mas o pai sofria com a ideia de que não teria tempo o suficiente para ensinar ao menino sobre as belezas e os perigos da vida. Preocupado em deixar um bom legado ao filho, fez seu testamento com regras claras, o dinheiro herdado deveria ser gasto apenas com duas coisas: Estudos e viagens.

O menino cresceu e aquela inocente brincadeira de criança se tornou uma paixão. Decidiu estudar gastronomia, e para aprender de forma mais autêntica, viajava. Foi à Índia para aprender sobre seus temperos; Foi à França e aprendeu a história dos vinhos e também o poder de uma boa harmonização. Passou anos se perdendo pelo mundo e se encontrando dentre sabores.

Durante o verão de 2017, trabalhou em um premiado Michelin três estrelas. E foi aí que nossas histórias se cruzaram. Não, eu não cozinho e nem gasto centenas de euros em restaurantes premiados. Sou apenas uma mochileira que buscava um cantinho para dormir.

Estava pelo Sul da França e queria conhecer a badalada St. Tropez, mas era impossível achar acomodações por lá, afinal, em um lugar onde cada um tem seu próprio yatch, não encontraria hostels e os hotéis estavam fora do meu orçamento, então decidi tentar couchsurfing como última chance de conhecer a ilha. Depois de algumas respostas negativas e outras ignoradas, obtive uma positiva.

As surpresas foram se revelando aos poucos. Ao desembarcar, fui informada que o endereço que buscava se encontrava na melhor localização de todas, em frente a pracinha mais fotografada da ilha.

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O que eu jamais imaginaria, é que além do local privilegiado, eu seria hospedada pelo chef e sommelier do melhor restaurante da lá. E por ter mudado a data de chegada, sem saber, cheguei em seu aniversário. E como recepção, além de um incrível jantar “caseiro”, na praça mais charmosa, que também poderia ser vista como “quintal de casa”, tive o prazer, entre uma taça e outra, de ouvir histórias incríveis daqueles que dividiam a mesa comigo e ali viviam apenas na alta temporada, enquanto turistas passavam para fotografar aquele lindo jantar.

Ele abriu suas portas para mim, da mesma forma que outros já abriram à ele quando mais jovem. Um desconhecido que se tornou um amigo, que me permitiu conhecer aquele cantinho mágico da França e me exemplificou da melhor forma possível o poder das viagens e do conhecimento. Alguma das poucas coisas na vida que de fato nos pertencem e ninguém pode tirar.

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Hoje, seguimos em contato, eu no Brasil e ele no meio do Pacífico, trabalhando como cozinheiro particular de um luxuoso barco. Ele, que sempre me dizia com um sorriso no rosto “eu não possuo nada, mas o que eu sei me permite ir à qualquer lugar, e este é o meu maior presente”.

Viajar é isso, é sair fora da caixa, se arriscar e conhecer pessoas que inspiram, realidades que mais parecem ter saído de um filme, mas que por sorte do acaso ou feito do destino, cruzaram a sua vida e agora também fazem parte da sua história.

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Dicas para quem deseja fazer Couchsurfing ou se hospedar gratuitamente por aí:

  • Existem diversas plataformas para baratear a sua viagem, seja por troca de experiências ou trabalho, com ou sem tempo determinado. Cheque qual melhor se adepta ao seu perfil e ao seu tipo de viagem.
  • Crie um perfil completo atrativo nas plataformas, com fotos e descrições do que busca e pra onde vai.
  • Cheque as referências de seus anfitriões, é sempre melhor se hospedar com pessoas que já possuem boas recomendações.
  • Combine tudo direitinho e mantenha contato em caso de imprevistos.
  • Seja o hóspede que você gostaria de receber.
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CLAUDIA BRODSKY

Sagitariana e publicitaria, já não aguentava mais ver a vida passando pela janela do escritório e resolveu viver uma aventura. Sozinha, pegou a mochila e comprou apenas passagem de ida para realizar um sonho. Conheça mais: Facebook e Instagram.

Engraçado que a minha primeira experiência no Couchsurfing também foi forçado pelo destino e pelas mesmas razões da Claudia. Parece até a vida querendo mostrar pra gente que só precisamos abrir a mente, quebrar paradigmas e reduzir preconceitos… Pra ela mostrar como podemos viver experiências incríveis.

Se você ainda não se abriu pra essa experiência, talvez seja justamente ela que vai te surpreender.

Créditos fotos: Claudia Brodsky

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Carol Fernandes

IDEALIZADORA

Uma virginiana certinha da pá virada, que virou de vez depois de viajar o mundo e decidiu que só ia fazer o bem. Criou a ViraVolta porque acredita que viajar o mundo transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo. Não escreve rebuscado, poético ou certinho, mas fala com a alma e o coração.

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