PLANEJAR É IMPORTANTE. MAS SER FLEXÍVEL É MAIS IMPORTANTE AINDA. Hoje você está planejando a sua viagem pra 6 meses, 1 ano ou até mesmo mais tempo. Porém, eu gosto de reforçar na ViraVolta que o que deveria definir a hora de parar é o seu coração. E por outras vezes quem vai definir isso é o destino. Não temos controle sobre a vida e muitas vezes ela nos coloca à frente de provações que muda o rumo dos nossos sonhos.

Ah como a viagem pelo mundo foi importante pra me provar que não temos controle sobre a vida. E a Ana Luiza e o Gabriel, do blog Tenho Rodinhas, passaram por uma dessas provações inesperadas da vida que fazem a gente mudar de rumo, quando estavam há apenas 4 meses do início da sua longa viagem pelo mundo.

Um história comovente, de fazer cair algumas lágrimas, mas que deixa um belo ensinamento pra vida. Nenhum sonho acaba, ele apenas se remodela. Por isso, convidei o casal para compartilhar nesse post a história deles.

Texto por Ana Luiza 

Tudo começou para nós assim que nos casamos. Eu, Ana Lu, e meu marido, Gabriel, já namorávamos há 7 anos, e sempre fomos apaixonados por viagens, mas nunca nos ocorreu a ideia de viajar por aí, sem destino e sem data para voltar.

Depois do casamento, nossa situação profissional não estava das melhores. Eu sou arquiteta formada, mas em meio à crise que se instalou no Brasil depois de 2015, não conseguia emprego. Estava ganhando dinheiro dando aulas de inglês. E o Gabriel estava estagnado numa empresa, fazendo uma coisa que ele não gostava, e sabendo que não teria muito futuro ou esperanças de crescimento.

Em meio a tudo isso, surgiu a ideia de morar fora. Fazer uns cursos, essas coisas. Nossa ideia inicial era o Canadá. Mas a grana estava curta, e o pique de correr atrás de uma bolsa de estudos estava pequeno. Uma bela tarde, depois de umas cervejas, os computadores no colo e muitas abas de pesquisa sobre o Canadá, surgiu a pergunta: “mas… e se a gente só viajasse?”. A sementinha da idéia de cair no mundo com uma mochila nas costas foi plantada e, depois, não conseguíamos mais pensar em outra coisa.

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Essa era uma ideia totalmente nova para nós, era uma loucura. Nós dois crescemos em famílias bastante tradicionais, e até então, a nossa meta de vida era a clássica: “casar – ter um bom emprego – ter filhos – um bom carro”. E é claro que não tem nada errado com isso. Mas, para nós, parecia que faltava alguma coisa. Faltava uma parte importantíssima nessa matemática. E nós simplesmente nunca nem tínhamos ouvido falar de gente que simplesmente largou tudo e foi viajar (que não fosse podre de rico). Graças às maravilhas da internet, conhecemos todo um mundo de viajantes que vivem assim, nômades, pelo mundo. Gente normal, que nem a gente, que não ganhava rios de dinheiro por mês. Gente que fez do mundo de viagens, o mundo deles.

Depois disso tudo, batemos o martelo e compramos a nossa passagem só de ida para Milão para o dia 28 de julho de 2017.

Embarcamos para o que seria a melhor aventura da nossa vida (até agora, rs). Viajamos por 7 países. Para isso, com a grana curta, nos cadastramos em sites de troca de hospedagem e alimentação por trabalho, e assim conhecemos lugares para onde nunca pensaríamos em ir. Conhecemos gente de quem nunca iremos esquecer, trabalhamos fazendo de tudo um pouco. Lavamos banheiros, plantamos, colhemos, cozinhamos, cuidamos de cavalos (…). Hoje, acho que podemos dizer que somos pau para toda obra, graças às tantas experiências que tivemos por aí. Aprendemos a viver com pouco. Nós tínhamos uma mochila cada um, e era isso. Não comprávamos roupas ou sapatos. Nem queríamos. Nenhuma vez passamos fome. A comida que tínhamos era simples, basiquinha, mas suficiente. O que não faltava mesmo era a vontade de seguir em frente. Quanto mais uma pessoa viaja, mais ela quer viajar.

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Infelizmente, nossa viagem só durou quatro meses. Em novembro, recebemos a notícia de que o pai do Gabriel faleceu de repente. Foi um choque para todos, e especialmente para nós. Era um sábado à noite (à tarde no Brasil), e estávamos no interior da Bulgária quando isso aconteceu. Não ia dar para continuar. Era preciso estar com a família, foi uma perda muito dolorosa. Ainda mais que o Gabriel sempre foi muito ligado aos pais e às irmãs dele, ligado realmente por uma amizade forte.

Voltamos, e com isso tiramos a maior lição de todas: ao viajar, esteja sempre em bons termos com quem você ama. Como diz a música, a vida é trem- bala, parceiro. O João (pai do Gabriel) sempre foi um dos maiores apoiadores da nossa viagem, uma das pessoas que sempre se alegrou quando os seus filhos seguiam seus sonhos. Ele viajava com a gente, se empolgava com cada história e cada foto e vídeo. Cara, antes de sair pra viajar, seja por uma semana, um mês, um ano, dê um abraço em quem você ama. Diga que os ama. Lá de longe, diga que está com saudades também. Não custa nada!

E nós não desejamos isso para ninguém, jamais, mas se isso acontecer com você também durante a sua viagem: volte. Fique com a sua família. Mas não deixe de sonhar e de planejar, nunca. Não deixe as pedras no caminho, as tristezas e as dificuldades te fazerem parar de sonhar. Por aqui, por um momento, pareceu que nada mais fazia sentido, pareceu que o sonho tinha acabado ali, no dia 18 de novembro. Mas nós sabemos que o João ia querer que nós seguíssemos nosso coração. Já estamos pensando na próxima viagem, começando a planejar um novo roteiro aí pelo mundão. Estaremos sempre levando conosco quem a gente ama, sempre de bem com todos. Viajar é muito melhor com o coração leve, sabendo que não estamos carregando mágoas nem ódio, apenas amor.

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ANA LUIZA E GABRIEL

Casal apaixonado por viagens que decidiu largar tudo e viajar o mundo. Aproveitamos a simplicidade das coisas da vida, e levamos amor por onde vamos, e ainda tem muito chão pelo mundo… Facebook: Tenho Rodinhas e Insta: @tenhorodinhas


Sempre vejo muitas pessoas preocupadas com a idéia de deixar a família aqui para viajar o mundo. Mas a questão é que você não tem esse controle sobre a vida. Você poderia deixar de realizar seu sonho e nada acontecer a ninguém. Você poderia realizar seu sonho e acontecer algo, como foi no caso da Ana Luiza e do Gabriel. Você poderia realizar seu sonho e nada acontecer. Você pode sair de casa para trabalhar irritado sem nem dar tchau e algo acontecer…

A vida é assim! Devemos viver a vida que faz sentido pra gente e valorizar as relações humanas como se elas fossem preciosas não importa a distância. Isso sim nós podemos controlar. Têm filhos que estão ao lado dos pais mas não investem tempo, atenção e carinho à relação. Têm filhos que estão longe mas estão super conectados. A distância não interfere nisso.

O seu único controle sobre a vida é a escolha de querer viver a vida que você quer de verdade. E realizar sonhos faz parte dessa escolha. Pais e filhos conectados vibram juntos nessa realização. Vai que dá!

Créditos das fotos: Ana Luiza e Gabriel

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