VOCÊ VIAJARIA O MUNDO OFERECENDO SUAS HABILIDADES PARA FAZER O BEM A OUTRAS PESSOAS? TEM MUITAS PESSOAS QUE VIAJAM DESSA FORMA. Com um propósito. Para muitos viajantes o que motiva viajar não é o turismo puro e sim a possibilidade de contato e conhecimento com a cultura local. Algumas pessoas não querem apenas adquiri conhecimento, querem também trocar, oferecendo algo de bom em cada lugar que passa. Viajar oferecendo suas habilidades para fazer o bem é uma ótima opção para unir essas duas coisas.

Há pouco tempo fiquei sabendo do casal, Marcelo e Tainá, do blog Calle America, que decidiram criar um produtora social ambulante para desenvolver projetos audiovisuais para organizações sociais. E foi unindo suas habilidades com o interesse de conhecer as culturas locais que eles partiram nessa incrível jornada com propósito e já estão há mais de 600 dias na estrada, realizando mais de 13 trabalhos. Então convidei o casal para compartilhar sua história e explicar porque decidiram fazer isso.

Texto de Marcelo e Tainá

Nos formamos em publicidade e trabalhamos por cerca de 10 anos no mercado publicitário brasileiro em São Paulo. Tínhamos carreiras sólidas. Apesar de trabalhar duro, depois de um tempo percebemos que aquilo não nos fazia feliz.

Buscamos uma forma de entrar em contato com outro tipo de realidade, com pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que as nossas, e encontramos na periferia de SP um coletivo cultural de poesia, literatura e teatro chamado Os Mesquiteiros, que realiza saraus e oficinas grátis em uma escola pública no Jardim Veronia, Ermelino Matarazzo. Foi o começo de tudo. Frequentávamos esse mundo todos os finais de semana. Voltar à nossa realidade durante a semana, era difícil e contraditório, principalmente por trabalhar com publicidade de grandes marcas, que em geral são baseadas em rótulos superficiais e números ao invés de pessoas. Terminávamos o dia nos perguntando o por que estávamos fazendo aquilo que pouco contribuía com a nossos ideais de vida.

Em outubro de 2013 largamos nossos empregos e decidimos realizar dois grandes sonhos: conhecer o mundo e trabalhar ajudando pessoas. Criamos o Calle América, uma produtora social, que percorre nosso grande continente (a ideia é ir do Ushuaia-Argentina ao Alasca-EUA) desenvolvendo projetos audiovisuais para organizações sociais de ajuda real a pessoas e comunidades. Queremos conhecer a realidade por onde passamos para além de estereótipos pré-definidos e estar juntos de projetos sociais nos encanta.

Mais do que uma mudança profissional, queríamos mudar o nosso olhar sobre o mundo, sobre o meio ambiente, sobre as pessoas e suas relações. Viajar dessa forma independente nos ajuda a construir um caminho novo para nossas vidas, sem tantos vícios. Não existe um guia. Começamos do zero. A estrada nos ensina a nos reinventarmos quase que diariamente a partir das múltiplas experiências que temos.

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Desde lá, já percorremos mais de 60 mil quilômetros em mais de 600 dias. Começamos no Uruguai, passamos pela Argentina, Chile, Bolívia, Peru e agora estamos na etapa Brasil. Trabalhamos em mais de 13 projetos, com diversas temáticas. No Uruguai trabalhamos em duas ONGs. A primeira, CEPRODIH, ensina ofício a mulheres que sofrem violência doméstica ou são marginalizadas. A segunda, o El Abrojo, ajuda no desenvolvimento de crianças e adolescentes da periferia, realizando cursos e oficinas culturais. Na Argentina trabalhamos num projeto de permacultura em uma fazendo orgânica, numa organização, a Fundación Zaldivar, que leva cuidados oftalmológicos a crianças carentes, numa outra, a Fundação CONIN, que combate a desnutrição infantil no país e por último, porém não menos importante, trabalhamos em um circo social, o Circo da Família Von Perez, que estava viajando pelo país levando cursos circenses e apresentações gratuitas a crianças e jovens carentes. No Chile trabalhamos junto a uma organização, Travolution, que ajuda a promover turismo comunitário em pequenas regiões do pais. Na Bolívia trabalhamos numa ONG, Biblioworks, que implementa bibliotecas em regiões rurais, e pobres, do país. E no Peru trabalhamos em um projeto que busca regularizar e apoiar os recicladores. Ciudad Saludable.

Perceber nossa fragilidade, inconsistência e complexidade talvez seja um dos maiores aprendizados desses longos dias de estrada. É uma dualidade rotineira entre acreditar que podemos e desconfiar que somos utópicos demais e fracassar. Senti medo de enfrentar dificuldades inesperadas no Uruguai até conseguir um trabalho e chorei de tanta felicidade ao nos despedirmos de um dos projetos que nos envolvemos. Nos surpreendemos com uma Bolívia caótica, estressada a cada minuto no trânsito de La Paz e terminamos tão completos vivendo em Sucre e trabalhando com a Biblioworks e suas bibliotecas rurais que não imaginamos como seria nossa passagem por lá se não conhecêssemos todas aquelas pessoas. E por aí vivemos, aprendendo a criar sentido onde não há, como diz Eliane Brum.

Economizamos dinheiro por mais de dois anos para tornar nosso sonho realidade, mas já percebemos que ele não será suficiente. Como não temos nenhum tipo de patrocínio contamos com a generosidade de pessoas que cruzam nosso caminho para conseguirmos cumprir o planejado. A ideia é não envolver dinheiro diretamente. Trabalhamos em troca de hospedagem, alimentação e etc. Nem sempre dá certo. Mas isso não é uma obrigatoriedade também, quando não conseguimos a grana vem do nosso bolso mesmo.

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Quem estiver afim de explorar uma viagem assim primeiro precisa estar certo que isso não é viagem de férias. Isso quer dizer que não é um conto de fadas, cheio de alegrias e sorrisos. Acima de tudo, olhe para dentro de você e faça o que você acredita ser o melhor. Quando escolhemos percorrer um caminho sem estrada pronta, precisamos nos preparar para os perrengues. Um, dois, três, diversos. Paciência, dedicação e estar aberto para mudar sua vida é fundamental.

Vá e acredite que você pode ajudar e que as pessoas, por mais simples que são, sempre te ajudarão também. Permita-se.

Dicas pra quem quer fazer o bem por aí

Como achar projetos sociais bacanas?

  • Ashoka: trata-se de uma organização que apoia ONGs ao redor do mundo. Eles tem a relação de todos os projetos que ajudam no site.
  • Volunteer South America: nele é possível encontrar ONGs que recebem voluntários. /li>

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MARCELO E TAÍS

Marcelo e Tainá, um casal de viajantes sociais que há dois anos viajam pela América trabalhando em projetos sociais e conhecendo as incríveis belezas de seus povos e terras. Conheça mais: site, FB e YT.


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