VOCÊ EXERCE A SUA TÃO MERECIDA LIBERDADE E DIREITO DE IR E VIR? Uma leitora mandou um desabafo pra gente e o texto dela é sensacional. Então decidimos publicar aqui na Viravolta.

A nossa leitora, Fernanda Oliveira, sempre quis se jogar no mundo, mas seu sonho foi sendo anulado por comentários “sensatos” de outras pessoas. Afinal, nós devemos explicações a quem? “Deu vontade e eu fui” deveria ser explicação suficiente, diz ela. Mas nos preocupamos demais com o que os outros pensam e falam. E isso nos prende.

Ela escreveu o texto abaixo inspirada em algumas partes da constituição (dos Direitos e Garantias Fundamentais – Capítulo I – Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos):

“Você tem direito de ir e vir em todo Brasil, em tempo de paz. Se não houver ordem de um juiz ou se você não está em flagrante delito, qualquer impedimento à sua liberdade de locomoção é ilegal… Qualquer pessoa pode procurar um juiz quando este direito não for respeitado.”

E FOI ASSIM QUE ELA DESABAFOU:

“Todo ser humano tem o direito de ir e vir.
Mas pensando bem, nós nunca vamos.
TUDO de alguma forma nos prende, nos impede, nos limita. O trabalho que realizamos, a família padronizadora de futuros, os amigos carentes de atenção, o curso de francês que está no último módulo, o vestibular para qual estudamos o ano inteiro, a prestação que ainda não foi quitada, o namoro que começou a caminhar, a tv que só mostra resultados ruins… E por aí vai… Motivos grandes, médios e pequenos com os quais alimentamos diariamente o “ficar”. Sendo assim, ficamos!
Você tem o direito de ir e vir. Mas não vai e não vem.
Estamos condicionados a uma rotina que nos oferta algo, nos conquista, nos exige, nos recompensa e por fim, nos prende, num círculo contínuo de palavras cruelmente envolventes como ‘segurança’, ‘estabilidade’ e ‘futuro’. Ficamos!
Você tem o direito de ir. Mas não vai.
Damo-nos por satisfeitos pelo fato de PODER ir. Não precisamos necessariamente IR, apenas saber que podemos já basta para abafar a agonia desse enlace de comodismos que é o ficar. Não que eu realmente vá, mas eu posso. Ficamos!
Tá louco? Isso é doença, insensatez, desperdício de talento e de tempo, é loucura, é infantilidade, é fugir dos problemas, é arriscado, é errado, é sem lógica, não é seguro, não há certezas, dá medo, dá desgosto, dá frio na barriga, não dá em nada… Deixa pra ir no natal, no feriado prolongado, nas férias, deixe pra lá… Deixamos!
Alguns moralismos de senso comum impregnados na sociedade então gerando um impedimento à minha liberdade de locomoção!
CHAMEM UM JUIZ!!!”

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Ela tem toda razão. Nós nos contentamos em pensar que somos livres mas não sabemos executar a habilidade de ser livre. Uma pessoa livre para ir e vir não precisa dar muitas explicações, ela faz porque se sente livre para fazer o que acredita. Brigamos pela liberdade mas parecemos gostar de viver em um sistema que nos aprisiona. Coisas de ser humano.

O que te prende? Vai viver o que você acredita e exerça o seu direito de liberdade, o seu direito de ir e vir. Vai que dá.

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