VOCÊ CAMINHARIA POR 800 KM? TALVEZ SEJA EXATAMENTE ISSO O QUE VOCÊ PRECISA FAZER. Se você sente que a sua vida não está fazendo mais sentido, que as suas escolhas te levaram numa direção que você não queria, que você não sabe responder algumas questões fundamentais da sua própria vida… Talvez esse seja o momento para parar e refletir. E não tem nada melhor nesse caso do que viver uma experiência que te tire da zona de conforto, que te reconecte com você mesmo de forma profunda, que ajude a mudar a sua visão de mundo… O Caminho de Santiago de Compostela pode ser uma experiência única e incrível pra te ajudar nesse processo tão importante da vida.

E pra compartilhar sobre essa experiência eu convidei a Karine e o Miguel, do Pernas pelo Mundo, que não só tomaram a decisão de fazer um grande reviravolta em suas vidas realizando uma longa viagem pelo mundo, como decidiram iniciar essa ventura já com um grande desafio, realizando o Caminho de Santiago.

Mas atenção, esse não é um post focado em dicas para realizar a caminhada, sobre isso existem centenas de posts na web. Esse é um texto pra te fazer refletir sobre a conexão dessa experiência com a sua própria vida. E talvez a partir dele perceber a importância dessa vivência na sua jornada.

Texto por Miguel Baladão

Nós somos Miguel, 40 anos, e Karine, 38; um casal de aventureiros inquietos que estavam insatisfeitos com as rotinas e com o cenário de vida que tínhamos. Construímos um grande projeto de mudança (de trabalho, de cidade, de estilo de vida) que começaria com a realização de um sonho: volta ao mundo!

Listamos alguns países por onde gostaríamos de passar e, de repente, Miguel lança a proposta: Por que não começamos pelo misterioso e espiritual Caminho de Santiago, na Espanha? Ambos somos católicos, mas praticantes eventuais. Somos, acima de tudo, curiosos e abertos à espiritualidade. Então, por que não?

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Nos debruçamos sobre pesquisas deste caminho que sempre pareceu muito distante e descobrimos que, na verdade, são vários os Caminhos: há o caminho português, o caminho francês, o caminho da costa, e outros, menos tradicionais; mas todos nos levam até a cidade de Santiago de Compostela, onde fica a Catedral (de mesmo nome) com a tumba de ‘São’ Tiago, um dos apóstolos de Cristo.

A grande mística sobre o Caminho (e isto é unânime a todas as rotas) é justamente ser uma jornada de busca: por encontrar-se, por respostas, por paz interior, por mudanças… Nós buscávamos superação física e emocional para o nosso recomeço. Consideramos, então, um ótimo marco de ponto de partida!

PLANEJAMENTO

Optamos pelo caminho francês, o mais clássico, começando no vilarejo de Saint-Jean-Pied-de-Port e com 800km de extensão. Decidimos ir no outono, cujo percurso é mais fresco e menos concorrido. Compramos as passagens com 8 meses de antecedência e “borboletas serelepes no estômago modo ativado”.

Apesar de esportivos, iniciamos treinos de resistência para caminhadas longas e criamos o canal Pernas pelo Mundo pra compartilhar nossas aventuras e experiências, começando com pequenos passeios e viagens pelo Brasil.

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O objetivo principal do canal é incentivar as pessoas a viajarem mais e, acima de tudo, mostrar que com organização é possível realizar qualquer sonho e projeto, afinal, nós (gente normal) estávamos conseguindo concretizar os nossos. Mas não existe milagre: economizamos, sacrificamos vários pequenos luxos e prazeres cotidianos, vendemos todas as nossas coisas, saímos dos trabalhos, nos despedimos de todos, organizamos as mochilas e embarcarmos.

A PEREGRINAÇÃO

As rotas são demarcadas e é importante estar atento às sinalizações (setas amarelas) distribuídas ao longo do belo cenário, mas a dura rotina de caminhar vários quilômetros por dia em estradas que parecem não ter fim retribui com um tempo muito valioso.

Nesse tempo, só nosso, a energia pode ser canalizada pra refletir e avaliar nosso panorama mais íntimo – isso torna a caminhada potencialmente transformadora. É uma ótima oportunidade para rever escolhas e decisões.

Em relação à bagagem, como passamos muito tempo com a mochila às costas, o minimalismo é primordial pra selecionar a dedo o que será útil e necessário. Afinal, qual a recordação que se quer ao final desta experiência: a de uma caminhada leve e agradável ou a de uma trajetória pesada e sofrida, por carregar itens demais?

Vimos muitos albergues com caixas de itens descartados por peregrinos durante o percurso. Nós mesmos desapegamos de algumas coisas que percebemos que não estavam sendo usadas.

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Assim como escolhemos os itens a serem levados numa viagem, também podemos aplicar um paralelo para nossas vida e refletir: o que nos é realmente essencial?

Na maioria das vezes investimos muito tempo e dinheiro ocupados em adquirir e/ou administrar bens materiais, suportar trabalhos ou relacionamentos que nos fazem mal, preocupações, fardos, rancores e medos – a sociedade nos impõe metas bastante altas e acabamos nos cobrando demais, deixando de lado as coisas simples e belas, que são desvalorizadas e passam desapercebidas.

As decisões sobre a bagagem a carregar nessa vida são nossas e a saúde – e a felicidade – pagam pelas escolhas erradas. Precisamos exercitar mais esse desapego do que nos pesa na alma e no coração.

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Durante o Caminho pudemos apreciar muitos nasceres de sol, gotas de orvalho nas plantas, novos cheiros, trocar muitos sorrisos e cumprimentos com todos os peregrinos (ou não) com quem cruzávamos, arriscar algumas conversas filosóficas e até iniciar novas amizades.

Quanto à distância, no início os 800km pareciam um número intransponível a ser atingido à pé, mas a cada dia nos aproximávamos um pouco mais do final. E esta pode ser outra analogia do Caminho com a caminhada da vida: não importa a distância e o nível de dificuldade pra concluir uma meta, alcançar um projeto ou realizar um sonho, cada pequeno passo é importante e necessário para todo o desenvolvimento do processo de conquista.

Todo e qualquer caminho percorrido é muito pessoal e único, mas se não houver movimento e esforço, nada novo ou diferente acontece; e se não manter o foco no objetivo, o rumo se perde. O essencial é estar de olhos e coração conectados e abertos para os detalhes da sua própria jornada, para o seu próprio ritmo; sem se comparar com as outras pessoas. Construa a sua rota, sem se esquecer que “é caminhando que se faz o caminho!”

NOSSO CAMINHO

Nosso Caminho até Santiago foi uma boa opção histórica e cultural de desafiar o corpo e ativar nossa grande aventura de viver fora da zona de conforto. Temos muito carinho por todas as lembranças desta jornada de superação que nos mostrou que temos a força e a capacidade de irmos a qualquer lugar, basta querer (e se organizar)!

Todas as experiências da peregrinação, realizada em outubro de 2017, foram registradas e documentadas em nossos vídeos do canal.

E seguimos nosso projeto com as Pernas pelo Mundo… Já completamos 1 ano de viajem, passando por 21 países. Tudo lá compartilhado nos vídeos do nosso canal. Buen Camino!

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Miguel Baladão e Karine Rufino

Casal largou tudo e decidiram viajar o mundo começando a mudança de vida pelo fabuloso Caminho de Santiago. Conheça mais: YouTube, Insta, Facebook, E-mail.


Eu acredito que na vida é muito importante realizarmos experiências que nunca fizemos antes, que nos levam ao nosso limite, que nos ensinem algo novo… Pois são justamente essas experiências que vão nos transformar de corpo e alma. Deixa a zona de conforto pra lá! A zona de conforto é território conhecido, são as respostas certas, é a mesmice que deixa a vida chata. Bom mesmo é viver a vida cheia de aventura!

Vai que dá! Experimente.E depois você conta aqui pra gente como foi.

Créditos fotos: Miguel Baladão e Karine Rufino

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